segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Nath Rodrigues – Fractal (2019)

Nath Rodrigues ainda está na fase em que as palavras escapam quando fala sobre Fractal. Natural. Esse que é o primeiro disco da carreira acabou de sair. Chegou às plataformas de streaming no dia 9 de julho e, assim, ela que canta desde criança, experimenta aos 28 anos algo novo. Falar sobre o próprio disco é algo bem diferente de criar.

“O disco sintetiza o caminho todo. Ele vem sendo construído mesmo antes de eu me assumir como cantora e compositora”, conta. Já faz tempo que Nath navega pelas ondas da arte. Por isso ela usa o verbo “assumir” para falar de sua vertente cantora. E que cantora, viu!!! Explore o disco e rapidamente vai ser dar conta da potência dela. Uma voz límpida, afinada, que harmoniza perfeitamente com um repertório que associa ancestralidade com contemporaneidade, em letras e arranjos.

A música foi a expressão que sempre fez parte do núcleo familiar mais próximo de Nath. Mas foi a tia Alcione Ferreira quem fez o primeiro convite para que participasse do coral infantil em Sabará, onde vivem os pais. Aí nunca mais parou.

“A primeira coisa que fiz na vida foi cantar e não tocar um instrumento”, diz em um tom surpreso. Isso porque Nath Rodrigues a ainda não havia parado para pensar nas fronteiras das linguagens artísticas na vida dela. Bem, se é que essas fronteiras existem.

Para a mídia, o nome dela começou a aparecer como instrumentista. Um detalhe curioso: no teatro. Nath Rodrigues começou a carreira trabalhando com grandes nomes da arte negra com atuação em Minas Gerais, como João das Neves (1935-2018) e Maurício Tizumba, por exemplo. Fez parte do elenco de peças como Clara Negra, Zumbi, Dom Quixote e Madame Satã, essa dirigida por João com o Grupo dos Dez.

Sendo assim, o teatro acabou por proporcionar à Nath uma vivência mais ampla dos processos criativos. “Na prática isso foi abrindo meu pensamento para a música”, conta. Inicialmente canções que nasciam mais conectadas com a cena. “O teatro mudou a minha forma de escrever”.

A escolha de Fractal para dar nome ao primeiro disco tem a ver com o que a palavra significa. “São os vários pedacinhos que tem semelhança com uma matriz principal”, explica. Sendo assim, a Nath Rodrigues que hoje aparece no disco, vem do teatro, da militância cultural, da arte educação.

A carreira nos palcos já mantém desde 2010, quando se mudou de Sabará para Belo Horizonte para cursar Educação Musical na UEMG. Atualmente, além da carreira solo, a artista participa, por exemplo, do coletivo Negras Autoras, formado por Manu Ranilha, Júlia Tizumba, Elisa de Sena e Vi Coelho. Também é uma das responsáveis pela coluna Lugar de Mulher, que era veiculada na Rádio Inconfidência e agora se prepara para se tornar uma websérie.

A experiência junto a estes coletivos fez com que Nath Rodrigues amadurecesse o pensamento sobre o que é ser uma mulher, negra em 2019. “Eu queria subverter um pouco esse lugar do que se espera da mulher negra hoje. Quero falar de outras coisas que ampliassem essa visão”, diz.

Preço – R$25,00

Faixas:
01 - Janaína - Nath Rodrigues
02 - Liquinha - Nath Rodrigues
03 - Tempo Breve - Nath Rodrigues
04 - Embolado, Engolido - Nath Rodrigues e Makena
05 - Cosme - Nath Rordigues e Laís Lacôrte
06 - Déjame - Nath Rodrigues e Renan Thai
07 - Minúcias - Nath Rodrigues
08 - Deságuo - Nath Rodrigues
09 - Menina dos Olhos - Nath Rodrigues
09 - Obirin - Guilherme Ventura e Nath Rodrigues
10 - Padê - Nath Rodrigues 

Karina Libânio - Nua Face (2019)

Nua Face
O álbum “Nua Face” foi concebido ao longo dos últimos cinco anos. As canções fazem uma síntese das principais influências musicais da artista e falam de sonhos, de entrega, de viver o momento presente, e também sobre perdas e cura. A natureza e seus elementos, o amor, a leveza, as cores e os seres vivos também servem como inspiração para a cantora neste novo trabalho.

“Nua Face” traz nove canções: Vida Segue, Nua Face, Mirabolante e Zé Preto (compostas por Karina Libânio e Léo Brasil); Navega em você e Já não tô cabendo mais (Karina Libânio, Léo Brasil e Marcílio Rosa); Inteira (Karina Libânio e Alysson Salvador); Mar Aberto e Altar (compostas por Karina Libânio).

Karina Libânio
Natural de Belo Horizonte, a cantora Karina Libânio começou na música como intérprete e estudou violão, percussão, teatro e yoga. Durante sua trajetória artística, participou de eventos musicais importantes ao lado de nomes expressivos da cena de BH, dentre os quais Aline Calixto, Maíra Baldaia, Pedro Morais, Dona Jandira, Thiago Delegado, Juliano Mourão, dentre outros.

Preço – R$28,00

Faixas:
01 - Já Não Tô Cabendo Mais - Karina Libânio, Léo Brasil e Marcilio Rosa
02 - Zé Preto - Karina Libânio e Léo Brasil
03 - Inteira - Karina Libânio e Alysson Salvador
04 - Navega Em Você - Karina Libânio, Léo Brasil e Marcilio Rosa
05 - Altar - Karina Libânio
06 - Mar Aberto - Karina Libânio
07 - Vida Segue - Karina Libânio e Léo Brasil
08 - Nua Face - Karina Libânio e Léo Brasil
09 - Mirabolante - Karina Libânio e Léo Brasil

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Luiza Brina - Tenho Saudades Mas Já Passou (2019)



Existe uma leveza rara no som produzido por Luiza Brina. Coisa que só artista mineiro sabe como fazer. Melodias que parecem dançar pelo tempo, flutuando em meio a diferentes fases da nossa música, como um permanente resgate de sensações, vivências e memórias empoeiradas. Um misto de nostalgia e evidente desejo de transformação, estrutura que orienta de forma simples cada fragmento de voz, nota ou minucioso entalhe criativo que embala o terceiro e mais recente álbum de estúdio da cantora e compositora belo-horizontina, Tenho Saudade Mas Já Passou (2019, Matraca / YB).

Sequência ao também delicado Tão Tá (2017), obra que contou com produção de Chico Neves (Los Hermanos, Skank) e a interferência de um time seleto de instrumentistas mineiros, o novo álbum segue uma medida própria de tempo, sem pressa, envolvendo o ouvinte aos poucos. “Como será que a música começa?“, questiona logo nos primeiros minutos do trabalho, como se apontasse a direção curiosa que orienta a experiência do público até o último instante do álbum. São vozes cristalinas que se espalham em meio a melodias de pianos, como um permanente exercício de saudação e acolhimento sensorial.

Síntese desse profundo refinamento melódico e sentimental ecoa com naturalidade no encontro com Fernanda Takai, em Acorda Para Ver o Sol. “Eu te ver passar e você parar / Enfim / A mais linda flor estendeu a mão / Pra mim / Eu gostei do amor me encantou o amor / Assim / A manhã de sol quis morar no meu / Jardim“, segue a letra da canção enquanto vozes complementares, metais e fragmentos acústicos se revelam ao fundo da canção, reforçando a atmosfera acolhedora que segue até a derradeira Oração 11. Um lento desvendar de ideias e experiências, como um salto em relação ao último trabalho da cantora.

O mesmo comprometimento acaba se refletindo em De Cara, encontro entre Brina e o diretor artístico do disco, o também mineiro César Lacerda. São pianos atmosféricos e arranjos de corda que se espalham de forma detalhista, ocupando todas as brechas deixadas pela letra da canção. “Me odeio neste exato instante / Em que sou pêga te amando / E tento esconder minhas mãos mas já é tarde demais / Nem sei se sou tão capaz“, confessa em um evidente exercício de confissão romântica, delicadeza que vem sendo aprimorada pela artista desde os trabalhos como integrante do Graveola e o Lixo Polifônico.

Surgem ainda preciosidades como a acústica Queremos Saber, música originalmente lançada por Gilberto Gil em 1976, mas que lembra Caetano Veloso em Muito (Dentro da Estrela Azulada) (1978), obra que ecoa durante toda a execução do trabalho. Em Quero Cantar, colaboração com as irmãs Lay e Lio Soares, da Tuyo, um colorido jogo de vozes e versos que reflete a capacidade da cantora mineira em dialogar com a música pop. Nada que se compare ao regionalismo de Esmeralda, canção de essência ensolarada que naturalmente convida o ouvinte a dançar.

Marcado pelo encontro com nomes como Marcelo Jeneci, Ronaldo Bastos, Felipe Pacheco (Baleia) e Julia Branco, essa última, parceria da cantora desde a produção do também delicado Soltar os Cavalos (2018), Tenho Saudade Mas Já Passou mostra o profundo comprometimento estético e entrega de Luiza Brina, presente em cada fragmento da obra. São décadas de referências, ritmos e fórmulas instrumentais que se completam pela poesia sensível da artista mineira, como uma extensão natural de tudo aquilo que a multi-instrumentista vem produzindo desde o primeiro trabalho em carreira solo, A Toada Vem É Pelo Vento (2012).
Por Cleber Facchi

Preço – R$30,00

Faixas:
01 - Como Será Que A Música Começa - Luiza  Brina e Ceumar
02 - Quero Cantar - Luiza Brina e Julia Branco
03 - Queremos Saber - Gilberto Gil
04 - Acorda Para Ver O Sol - Luiza Brina e Ronaldo Bastos
05 - Esmeralda - Luiza Brina e Gustavito Amaral
06 - De Cara - Luiza Brina e César Lacerda
07 - Seu Dom - Luiza Brina
08 - Estrela Cega  da Turquia - Luiza Brina e Thiago Amud
09 - Oração 11 - Luiza Brina e Brisa Marques