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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Aline Calixto – Meu Ziriguidum (2015)

Cantora e compositora nascida no Rio mas radicada em Minas Gerais desde criança, Aline Calixto vai lança seu terceiro disco intitulado Meu Ziriguidum. A cantora afinada que começou no samba e ganhou a simpatia e o apreço dos mais respeitados bambas do gênero musical mais popular do país mostra, neste álbum, que também é compositora (e de mão cheia, diga-se de passagem).

Mais madura e segura tanto do seu canto quanto do caminho que deseja seguir, Aline deu ao disco o nome de uma canção composta por ela em parceria com Gabriel Moura. Tal canção abre o disco e retrata a mulher moderna que vai pro samba do jeito que quer sem qualquer preconceito ou pudor. Os primeiros versos já denotam claramente esta segurança: Eu vou pra batucada / Eu vou de coração / Eu vou de madrugada / Eu vou com você ou não.

Meu Ziriguidum tem onze faixas, produção assinada por Paulão 7 Cordas e Thiago Delegado e as participações de Zeca Pagodinho, Alindo Cruz e do rapper paulistano Emicida que faz um belo dueto com Aline na releitura do clássico imortalizado por Clara Nunes, Conto de Areia. Assim como a produção do álbum uniu duas gerações, o repertório também teve essa preocupação. Composições dos renomados Arlindo Cruz, Moacyr Luz e Serginho Beagá se misturam com as de jovens autores como Rogê, João Martins e Leandro Fregonesi.

É da dupla de veteranos Moacyr Luz e Délcio Luiz a segunda faixa do disco, No pé miudinho, que traz a participação de Zeca Pagodinho. Um samba que se ‘auto exalta’ através de um personagem tipicamente caracterizado. Na sequencia, um samba do jovem compositor Leandro Fregonesi chamado Entre você e euque retrata claramente o término de um romance motivado pelas graves diferenças entre o casal, logo, sem volta.

A quarta faixa do disco, Papo de Samba, composta pelo trio Carlos Caetano, Moisés Santiago e Flavinho Silva, foi gravada no início da década de 2000 pela turma do Fundo de Quintal e é um samba divertido cuja letra faz alusão a um personagem suburbano e suas peripécias cotidianas. Toda Noite é a composição mais cadenciada do álbum e conta com a participação de Arlindo Cruz. Com letra do próprio em parceria com Maurição, este samba fala daquele amor que apesar de não estar mais ao lado, não sai da mente. JáIbamolê, de Serginho Beagá, é um samba-ijexá repleto de ruídos rítmicos oriundos da religiosidade afro-brasileira e fala do encontro de um pescador com Oxum, a orixá que reina nas cachoeiras.

A sétima faixa do disco é uma ode à mulher brasileira. Com letra de Arlindo Cruz e Rogê, Musas, é um samba exaltação ao feminino. Em Pedreira, a resistência do amor é cantada através de versos fortes comoSe o meu amor tivesse um fim / Não era pra recomeçar / Nao era para implorar / Um calor de um beijo seu / Custe o que custar / Vai pagar pra ver.
A décima canção do álbum, Lenda das Matas, composta por João Martins e Raul Dicaprio, é um samba com referências da Umbanda e faz alusão a personagens do folclore brasileiro numa história rica e cheia de mistérios.

Encerrando o terceiro disco de Aline Calixto, em total clima de festa, o samba de Serginho Beagá, Eu sou assim. Os instrumentos que fizeram deste ritmo um dos mais festivos do planeta são exaltados nos versos desta canção. Meu Ziriguidum, como o próprio nome indica, tem samba na rima, no batuque e nos arranjos. O álbum não tem a intenção de ser um disco de samba tradicional, ao contrário, é um álbum de samba em perfeita simbiose com seus gêneros irmãos como pagode, ijexá e o rap. Meu Ziriguidum é atitude carregada de swing, sensualidade, malemolência e liberdade.

Preço – R$28,00

Faixas:
01 – Meu Ziriguidum – Aline Calixto e Gabriel Moura
02 – No Pé do Miudinho – Moacyr Luz e Délcio Luiz
03 – Entre Você e Eu – Leandro Fregonesecá
04 – Papo de Samba – Carlos Caetano, Moisés Santiago e Flávio da Silva Gonçalves
05 – Toda Noite – Arlindo Cruz e Maurição
06 – Ibamolê – Serginho Beagá
07 – Musas – Arlindo Cruz e Rogê
08 – Conto de Areia (Incidental: Rap de Areia) – Romildo Souza Bastos, Antônio Carlos de Nascimento e Emicida
09 – Pedreira – Fabinho do Terreiro e Ricardo Barrão
10 – Lenda das Matas – João Martins e Raul de Souza Vidigal
11 – Eu Sou Assim – Serginho Beagá

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Aline Calixto – Flor Morena (2011)

Em 2009, Aline Calixto despontou no mercado fonográfico com o lançamento de álbum superestimado, cujo repertório remetia à vivência mineira dessa cantora nascida no Rio de Janeiro (RJ), mas criada nas Geraes. Sucessor de Aline Calixto (2009), Flor Morena chega às lojas neste mês de junho de 2011 com alteração na rota geográfica do samba propagado na voz afinada da intérprete.

Embora faça escalas em vários pontos da crioula nação do samba, reverenciada em Cabila (Peu Meurray e Leonardo Reis), o segundo disco de Calixto aposta na diversidade do gênero ao mesmo tempo em que aproxima mais a artista do samba cultivado nos mais nobres quintais cariocas - a ponto de ter sua inédita faixa-título assinada pela dupla de bambas Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho (com a adesão de Jr. Dom).

Flor Morena - o samba fornecido pelo trio carioca para Calixto - segue linha melódica e poética pouco original, mas é belo e dá o tom elegante de um disco que começa em clima de terreiro com a Gemada Carioca oferecida por Martinho da Vila. A letra desenha a árvore genealógica da cantora. Na sequência, Me Deixa que Eu Quero Sambar - grande tema de Mauro Diniz - celebra o próprio samba, citando em seus versos a luz divina que iluminou a obra atemporal de criadores como Candeia (1935 - 1978). É sob essa luz que floresce ainda a regravação de Coração Vulgar (Paulinho da Viola), samba de 1965, alvo de registro interiorizado.

Contudo, certa de que o samba não tem fronteiras, Calixto extrapola o quintal carioca em Flor Morena. Caçuá (Edil Pacheco e Paulo César Pinheiro) - tema já gravado por Edil no álbum O Samba me Pegou (2003) - evoca a sensual manemolência baiana com citação de Maracangalha (Dorival Caymmi) enquanto De Partir Chegar (Joca Perpignan e João Cavalcanti) transita com poesia entre a ciranda e o maracatu de Pernambuco. Já Conversa Fiada - única faixa assinada somente por Calixto - esboça diálogo entre o samba e a salsa que não chega a ganhar forma e consistência.

Ainda na seara autoral, Calixto é parceira de Thiago Paschoa e Arhtur Maia na romântica Teu Ouvido, faixa em que o som do bumbo simboliza as batidas descompassadas de um coração apaixonado. Em linha mais bem-humorada, Je Suis la Maria (Dora Lopes, Jorge Rangel e Jean Pierre) leva o samba para um salão de gafieira por conta dos sopros arranjados por Marcelo Martins.
Aliás, há todo um frescor nos arranjos que valorizam até sambas medianos como Blá Blá Blá (Serginho Beagá) - efeito provável da produção de Flor Morena ter sido confiada ao baixista Arthur Maia, nome pouco pronunciado nos quintais onde se cultiva o samba mais tradicional. Maia pilotou o álbum com respeito às tradições do samba, mas sem os clichês recorrentes em discos do gênero.

Neste CD pautado pelo sincretismo musical, Ecumenismo (Moacyr Luz e Nei Lopes) reza pela cartilha da diversidade religiosa no mesmo tom libertário da miscigenação saudada em Cafuso (Toninho Geraes e Toninho Nascimento).  Cafuso prepara o terreiro para o fecho de ouro do disco, Reza Forte (Rodrigo Maranhão e Mauro Reza), samba-jongo que explicita a criação mineira da artista enquanto festeja a nobreza suburbana na qual está enraizado o samba cultivado nos quintais do Rio de Janeiro. Muito superior ao primeiro disco da cantora, Flor Morena alicerça a voz, a imagem e o samba reverente de Aline Calixto.

Preço – R$28,00

Faixas
01 - Gemada Carioca
02 - Me Deixa Que Eu Quero Sambar
03 - Flor Morena
04 - Conversa Fiada
05 - Caçuá
06 - Je Suis La Maria
07 - Coração Vulgar
08 - Ecumenismo
09 - De Partir Chegar
10 - Teu Ouvido
11 - Blá Blá Blá
12 - Cabila
13 - Cafuso
14 - Reza Forte