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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Makely Ka – Rio Aberto – 2021

Um disco instrumental de violas. Assim é “Rio aberto”, álbum do cantor, compositor e instrumentista Makely Ka lançado recentemente nas plataformas digitais. O novo trabalho integra a “Trilogia dos sertões”, iniciada com “Cavalo motor” (2015) e que será encerrada com “Triste entrópico”. O repertório traz 12 faixas autorais batizadas com nomes de cursos d’água e rios, além de uma composição de Tavinho Moura.

Dez músicas remetem a afluentes do São Francisco. Outras duas se inspiraram em rios que deságuam no mar, o mineiro Doce e o Vaza-Barris, que banha Canudos, no sertão baiano. “Tento simular o movimento desses rios, os sons de suas corredeiras, quedas d’água, seus poços profundos”, diz o compositor.

Nesse novo álbum, rios e cursos d’água costuram elementos da geografia, história e literatura, ligando o sertão de Guimarães Rosa aos sertões de Euclides da Cunha e ao universo mítico de Elomar. Makely comenta que busca chamar a atenção para a devastação imposta à natureza, por meio de sua música. “'Rio aberto' tem pegada ambiental também, é uma denúncia, homenagem para os rios Doce e Paraopeba, tão devastados pela mineração”, diz.

 “Rio aberto” surgiu despretensiosamente. “Digo isso porque, até então, não tocava viola”, explica Makely Ka. “Comecei a tocar e a compor nesse instrumento há cerca de três anos. Até tive uma viola, mas dei de presente a um amigo, que mora hoje na Alemanha, o João Nogueira”.

Ele comprou outra quando afinações inusitadas chamaram a sua atenção. “Não sou da música instrumental nem violeiro de fato. Porém, ao compor, as músicas iam fluindo feito água e resolvi gravar o disco”, comenta. Com exceção de “Encontro das águas”, canção de Tavinho Moura, todo o repertório foi composto por Makely.

“Somos praticamente eu e a viola nesse disco. Tem três músicas com Gustavo de Souza, que faz o violão comigo; outras duas com baixo, uma com o Paulinho Sartori e outra com o Rodrigo Quintela. Quatro têm arranjos de violoncelo que o Avelar Júnior escreveu e o Felipe José toca”, explica.

Agora, Makely Ka tomou gosto pelo instrumento. “Estou fazendo músicas de viola numa onda meio folk, talvez elas virem disco. São coisas meio Neil Young, até toco uma dele na viola.”

*por Augusto Pio

Preço – 30,00

Faixas:

01 – Batistério

02 – Paracatu

03 – Urucuia

04 – Jequitai

05 – Paraopeba

06 – Carinhanha

07 – Rio do Sono

08 – Das Velhas

09 – Verde Grande

10 – Pardo

11 – Doce

12 – Vaza-Barris

13 – Encontro das Águas

Todas as músicas são de Makely Ka, exceto Encontro das Águas, de Tavinho Moura


 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Makely Ka – Cavalo Motor (2014)

Aqui se ouve um sertão de metais pesados, raspando uns nos outros, lancinantes. Aqui tem trava-língua, estacato, trocadilho. Cada consoante como uma conta num enorme ganzá.  Espirais de DNA girando como redemoinhos gêmeos.

Aqui tem contraponto num dueto de campo e contracampo. Tem verso mandado, verso pago, verso devolvido, cada verso um degrau numa escada, onde tem que saber pisar em todos. Cantigas sacudidas, rodadas, onde todos se soltam em danças, e a voz canta uma história estranha.

Aqui a canção dissonante, intermitente, atravessada, em treliça, vindo de todas as direções com vozes parecidas, a guitarra acústica, o fole, um metal plangente que lembra alaúde, o cheiro das lanternas a óleo, o cheiro dos pneus queimando no asfalto. Aqui um som de vidros, um menino na escuridão, tocando as garrafas do seu tio alquimista.
 
Aqui atabaques, batuques, harmônico de cristais por entre serrotes. Incelências e litanias no velório de um velho dragão que voltou da guerra. Montaria motorizada redescobrindo artefatos pós-históricos, encostando as pontas dos mil fios desencapados da cultura brasileira.
por Braulio Tavares

Preço – R$25,00

Faixas:
01 – Carrasco – Makely Ka
02 – Cavalo Motor – Makely Ka
03 – Código Aberto – Makely Ka
04 – Fio Desencapado – Makely Ka
05 – Baião para Gershwin – Makely Ka e Benji Kaplan
06 – Assum Cinza – Makely Ka
07 – Itinerário Tatarana – Makely Ka
08 – Ijexá dos Meninos – Makely Ka
09 – Epifania – Makely Ka
10 – Baião Branco – Makely Ka
11 – Ibero América – Makely Ka
12 – Sem Direção de Casa – Makely Ka
13 – Da Idade da Terra – Makely Ka
14 – Roda da Fortuna – Makely Ka
15 – Sertão - Makely Ka

sábado, 17 de março de 2012

Makely Ka – Autófago (2007)

Um “pop” que suporta o peso da poesia crítica de Makely Ka. Autófago traz essa revelação. Makely na evolução de sua carreira solo, construída com base em experimentações e em produtivas parcerias. Pop que não é raso, não tem pressa. Expressa com letras e ritmos todo o anseio do lado de dentro, de quem segue o caminho desse amplo mundo vindo com o novo tempo que ele avista, compreende e critica.

Aposta no suporte simples que sustenta e valoriza sua rima. Música a favor da poesia, poesia a
serviço da música. Arte convidando a uma ‘Endoscopia’, a um posicionamento – aversão à mídia vazia, à apropriação ilimitada das informações.

Infinidade de possibilidades. A criação de Makely Ka se apropria bem disso e não é apenas isso. Na esteira dos artistas que vieram antes e registraram a emoção de uma época em princípio de transição – aí se encontra Torquato Neto, Jorge Mautner, Wally Salomão, Paulo Leminski e outras referências inerentes – “Autófago” vem dizer do seu tempo, do processo “auto-digestivo” de informações tantas e diversas existentes e presentes na obra musical de Makely Ka.

Prática de autofagia (ponte de) música de sentidos, trilha que leva o círculo ao espiral – caminho de ida às voltas. Poeta do dia-a-dia na realidade vazia. Diálogo na era da surdez coletiva, convite para explorar a diversidade brasileira nas letras e melodias, ambas de sua autoria. Recortes e fragmentos, retratos musicais deste nosso novo tempo velho em idade, zerado em referências, perdido entre as leis reguladoras e a liberdade esfuziante das novas tecnologias. Dinâmico e coeso, “Autófago” transita em conflito e harmonia com esse tempo.

Makely, aquele que canta, compõe, escreve, se auto-produz, multiplica ações, encara e confronta o contexto, se impõe na dureza, se faz entender pela clareza de sua expressão. Em versos e canções, experimentando formatos e planos de ação Makely evoluiu no seu discurso e finalizou um produto cultural irretocável. “Autófago” está na rua.
*por Ludmila Ribeiro

Preço – R$15,00

Faixas
01 - Desliguem os Aparelhos Celulares ( Makely Ka )
02 - Eu Não ( Makely Ka )
03 - Reator ( Makely Ka )
04 - Cérebro na Cuba ( Makely Ka )
05 - Autófago ( Makely Ka )
06 - Punk de Boutique ( Makely Ka )
07 - Não se Meta ( Makely Ka )
08 - Equinócio ( Makely Ka )
09 - Endoscopia ( Makely Ka )
10 - Sorôco ( Makely Ka )
11 - Famigerado ( Makely Ka )
12 - A Outra Cidade ( Makely Ka )
13 - Plutão ( Makely Ka )
14 - O Meteoro ( Makely Ka )

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Música de Makely Ka (2012)

No mês passado eu fiz uma homenagem o nosso querido compositor Mestre Jonas com uma coletânea de músicas dele que haviam sido gravadas por outras pessoas, em CDs de vários artistas/bandas de Belo Horizonte.

Foi dai que nasceu a idéia de todo mês homenagear um compositor da nova safra da música mineira, no mês de fevereiro o escolhido foi Makeky Ka, nascido em Valença do Piauí e criado em Barão de Cocais, no interior de Minas, ele chegou em Belo Horizonte em 1991 para fazer eletrônica no CEFET.

Makely Ka é um dos principais compositores de sua geração. Lançou os livros de poemas Objeto Livro (1998) e Ego Excêntrico (2003). Ao lado dos parceiros Kristoff Silva e Pablo Castro, lançou em 2003 o CD A Outra Cidade.  

Em 2006 lançou juntamente com a cantora Maísa Moura os CD Danaide. No ano seguinte lançou seu primeiro disco solo, Autófago. Desde 2006 edita a Revista de Autofagia o lado do poeta Bruno Brum.

Conta atualmente com mais de 80 canções gravadas por diversos intérpretes no Brasil e no exterior.  Como performer, destaca-se pela sua verve crítica e irônica, sem perder o humor inteligente. Já se apresentou nos principais palcos do Brasil e excursiona pela Europa desde 2007.

Sua produção artística está diretamente relacionada à atuação política através de ações ligadas ao cooperativismo, à economia criativa, à auto-gestão e à contra-indústria.

Esta coletânea conta com músicas gravadas em 15 CDs diferentes, no período de 2003 a 2011 e em sua grande maioria interpretada por vozes femininas, vale a pena baixar e escutar...


Faixas:
01 - Andante (Pablo Castro e Makely Ka) canta Marina Machado e Regina Spósito
02 - Xote Polaco (Kristoff Silva e Makely Ka) canta Kristoff Silva
03 - O Chamador (Makely Ka) canta Titane
04 - Atemporal (Pablo, Kristoff e Makely) canta Pablo, Kristoff e Makely
05 - Costura (Dudu Nicácio e Makely Ka) canta Leopoldina
06 - Samba Sim (Marku e Makely Ka) canta Julia Ribas
07 - A Luz é como a Água (Flávio Henrique e Makely Ka) canta Mariana Nunes
08 – Monotonia Gris (Makely Ka e Renato Negrão) canta Maísa Moura
09 - Mar Deserto (Kristoff Silva e Makely Ka) canta Kristoff Silva
10 - Solstício de Inverno (Chico Saraiva e Makely Ka) canta Maísa Moura
11 - O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (Makely Ka e Aline Calixto) canta Aline Calixto
12 - Impagável (Rafael Martini e Makely Ka) canta Leonora Weissmann
13 - Eu Não (Makely Ka) canta Titane
14 – O Amor (Flávio Henrique, Renato Negrão e Makely Ka) canta Regina Spósito
15 - Uma Confabula (Makely Ka) voz e texto Makely Ka
16 - Câmara Escura (Antonio Loureiro e Makely Ka) canta Sérgio Pererê
17 – Santuário (Mestre Jonas e Makely Ka) canta Mestre Jonas
18 – Fio Desencapado (Makely Ka) canta Juliana Perdigão
19 – Queixumes (Makely Ka e Renato Negrão) canta Alda Rezende
20 – Samba Solto (Makely Ka e Paulo Beto) canta Alda Rezende

Música Maestro!!!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Kristoff Silva, Makely Ka e Pablo Castro - A Outra Cidade (2003)

A Outra Cidade é o resultado do encontro de três compositores, Kristoff Silva, Makely Ka e Pablo Castro, que reuniram suas referências e influências em um trabalho autoral e inovador. Mais do que um CD, A Outra Cidade é um ponto de encontro dessa nova geração de compositores e intérpretes que tem muito o que mostrar.

Este é o primeiro produto acabado apresentado por integrantes do Projeto Reciclo Geral – Mostra de Composições Inéditas, realizado em 2002 e responsável por uma verdadeira ebulição na cena musical mineira desde então, movimentando cerca de 70 nomes entre intérpretes, compositores e instrumentistas como Marina Machado, Virgínia Rosa (SP), Vítor Santana, Alda Rezende, Dudu Nicácio, Renato Villaça, Maísa Moura, Titane, Érika, Mestre Jonas, Vander Lee, Rosa Maria, Anthonio, Amaranto, Juarez Moreira, Sérgio Pererê e Renato Negrão dentre outros. Foram 25 apresentações que lotaram o espaço do Reciclo Asmare Cultural e mostraram a força de articulação e público dessa nova geração.

Kristoff, Makely e Pablo são representantes da nova cena musical e referência para muitos artistas do Estado. Neste trabalho eles convidam intérpretes e músicos já estabelecidos a atuarem ao lado da nova geração, de forma a fortalecer a cena e mostrar a produção que acontece fora do “eixo”. A proposta é trabalhar coletivamente, respeitando a diversidade. Para tanto o CD reúne representantes de diversos núcleos, como os porta-vozes dos grupos de percussão Elefante Groove, Trovão das Minas, Tambolelê, a Orquestra Mineira de Rock e a Orquestra Sinfônica de Minas Geraes.

As composições dos três músicos presentes no CD A Outra Cidade, dialogam com as mais diversas tradições da canção brasileira, com originalidade e ousadia, não sendo facilmente rotuladas num estilo. O CD conta ainda com arranjos de Avelar Jr., programação eletrônica de Lucas Miranda e participação de artistas como Titane, Alda Rezende, Marina Machado, Regina Spósito, Flávio Henrique, Amaranto, Patrícia Ahmaral, Anthonio, Sérgio Pererê, Paula Santoro, dentre outros. Pequenos, mas muitos detalhes fazem do disco A Outra Cidade um produto único e ao mesmo tempo múltiplo.

Kristoff, Makely e Pablo. Cada um trouxe uma característica, um estilo que foi se fundindo. Na verdade cada um é uma peça desse quebra-cabeça que se chama A Outra Cidade. Harmonia, ritmo e melodia. Kristoff, Makely e Pablo. A música de uma nova época, complexa, interconexa, paradigmática.

Preço – R$15,00

Faixas
01 - Andante (Pablo Castro e Makely Ka)
02 - Xote Polaco (Kristoff Silva e Makely Ka)
03 - Em Diante (Kristoff Silva)
04 - Intuição (Pablo, Kristoff, Makely e Luis Henrique)
05 - Perto Daqui (Pablo Castro)
06 - Mulher do Norte (Kristoff Silva e Makely Ka)
07 - O Chamador (Makely Ka)
08 - Santo Forte (Kristoff Silva e Makely Ka)
09 - Mira (Pablo Castro e Makely Ka)
10 - Morrer no Mar (Makely Ka e Maísa Moura)
11 - Tema do Mergulhador (Pablo Castro)
12 - Monotonia Gris (Makely Ka e Renato Negrão)
13 - A Outra Flor de Cal (Kristoff Silva e Makely Ka)
14 - Madeixas (Pablo Castro e Kristoff Silva)
15 - A Volta Barroca (Kristoff Silva e Makely Ka)
16 - Carpe Diem (Pablo Castro e Luis Henrique)
17 - Atemporal (Pablo, Kristoff e Makely)